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As Marcas de Adam
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Nome As Marcas de Adam
Escrito por AmandaMM
Data de lançamento 07 de Julho de 2014
Simsérie Eternamente
Classificação A leitura não é recomendada para menores de 12 (doze) anos. 12 anos

Cronologia
Temporada
Capítulo Anterior Um Dia Incomum
Próximo Capítulo A Visita da Dama
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Propriedade

Eternamente - 2x07: As Marcas de Adam é de propriedade de AmandaMM. A menos que a edição seja construtiva ou de poucos detalhes, peça permissão ao autor para editar a página.
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Igual como faço todos os dias, aqui estou eu no quarto de Mia, lembrando-se de como ele já foi e o que se tornou: apenas um espaço vazio... um espaço vazio e escuro sem alguém para ocupar. Essa dor de sentir falta é forte, definitivamente. Ainda bem que hoje, minha eterna menininha ligou para dar noticias e acalmar meu coração de pai. Agora já está bom, devo ir dormir, nessa sexta-feira pacata como todos os demais dias sem Mia por perto. Ou pelo menos Benjamin para poder bancar o sogro ciumento. Quero somente ver quanto tempo demorarei a pregar os olhos essa noite.

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- Mamãe! Mamãe! Mamãe! Eu cheguei! – diz eu, apenas uma criança inocente e ansioso para ver a mãe depois de uma sexta feira de aula. Ouço a voz de minha mãe enquanto assiste TV na sala:

- Querido! Que bom que chegou!

Corro até a poltrona logo ao lado da que minha mãe está e me junto a ela. Alguns minutos depois eu por fim lembro e viro-me a ela para dizer:

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- A senhora já tomou seu remédio para pressão?

Ela se vira para mim e sorri, julgando fofo o fato de está preocupado com ela. Como todas as outras vezes, eu sempre me preocupei com ela, então responde:

- Sim, querido, não precisa se preocupar! A memória de sua velha mãe ainda não está tão ruim assim!

Eu sorrio, aliviado por ela ter tomado seu remédio, garantindo assim seu bem estar na pressão arterial nas próximas horas, procuro então iniciar algum assunto:

- E o papai? Onde ele está? Hoje de manhã ele mal conseguia se levantar por causa da coluna...

Minha mãe diz:

- Ele foi pedir as contas no trabalho, de forma sofrida. Você sabe o quanto ele gosta de trabalhar com cavalos.

Eu penso um pouco e digo:

- Sim, eu também gostava muito de ir ao trabalho dele no domingo, mas será melhor para ele se aposentar.

Minha mãe se levanta e eu também, ela então me abraça e diz:

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- Como meu filho tem uma ótima cabeça! - sinto-me tão bem nos braços da minha mãe, tão bem, mas tão bem, que não sei descrever o conforto de senti-los novamente, e ao mesmo tempo lisonjeado. Ela sempre me fazia levantar o astral. Em seguida, minha mãe diz: - Preciso ir à venda comprar alface e mais queijo, seu pai não vai demorar... descanse um pouco, hoje é sexta-feira, meu amor.

Ela aperta minha bochecha, eu então aceno para minha mãe e espero-a sair para poder ir para o quarto.

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Enquanto nele estou, passo a refletir brevemente minha vida, e me preocupar, meus pais ficam cada vez mais velhos, precisando de mais atenção e cada vez mais sinto que... a hora de eu me encontrar sozinho está próxima. Procuro imediatamente parar de pensar nisso e pensar na excursão que terá na escola terça-feira.

Ouço um barulho vindo do lado de fora, porém ignoro-o completamente, assim ouço a porta do meu quarto e vejo meu pai entrando por ela, ele então para e fica olhando para mim e eu olhando para ele. Por fim ele diz:

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- Cadê o meninão do papai? Hein?

Eu me empolgo pulo da cama e por fim pulo para cima dele enquanto digo animado:

- Papai! Você chegou!

Ele me segura, porém rapidamente me larga no chão e sente a dor nas costas. Eu então digo triste:

- Pai, me... Desculpa-me! Eu não queria...

Ele se segura em mim, tenta um sorriso, porém sem grande sucesso, então diz:

- Tudo bem, apenas me ajude aqui.

Conduzo meu pai pelo braço até seu quarto, ajudo-o a se deitar na cama e ajeito seu travesseiro, em seguida busco por um remédio para dor e dou a ele para beber, quando tudo enfim está bem, ele diz:

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- Desculpe seu velho pai está cheio de complicações, vamos, pode ir brincar, não precisa se preocupar comigo. - eu continuo parado olhando para ele, ele então diz sorrindo: - Vamos, Adam! Não se preocupe...

Eu por fim eu deixo-o no quarto e vou para o quintal, procurar pedras por falta do que fazer.

Então um corte, um longo corte, arrastando-me ao fim de minha adolescência numa segunda-feira pela manhã, quando minha mãe já tinha saído para trabalhar e eu tinha puxado uma cadeira e estava fazendo companhia ao meu pai enquanto o ônibus escolar não chegava.

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As horas passavam, não conversávamos, deveria surgir assunto quando uma pessoa que tanto ama está prestes a partir? Em minha cabeça, isso não seria possível. Em uma hora como era de se esperar, meu pai pressionou o peito e chamou por mim rapidamente:

- Adam! Filho... - eu corri até ele, sentei ao seu lado na cama e segurei minha mão, temendo o que poderia acontecer nos próximos segundos. Ele então começa a dizer com uma voz falha: - Adam, meu filho... meu único filho...

Eu digo já me desesperando:

- Sim pai? Sim pai! Eu estou aqui!

Ele sorri e treme, em seguida diz:

- Sinto Deus me chamar, filho, eu sinto que está na hora de ir...

Eu digo inconformado:

- Não, não! O senhor não pode partir pai! E quando a mim, a mamãe...?

Meu pai então responde, com a voz mais fraca ainda:

- Seja o homem da casa agora, Adam, cuide de sua mãe e se cuide, meu filho... - ele faz uma longa pausa e por fim diz: - Quando tiver seus filhos, eu espero que consiga dar tudo o que precisam e o que desejam. Algo que infelizmente seu velho pai não conseguiu.

Eu aperto a mão dele, ele sorri e diz:

- Você tem um futuro brilhante, meu filho, um futu... - sua voz se corta e seus olhos se fecham, sua fraca respiração vai-se embora, então ele morre segurando a minha mão. Outro corte e cá estou eu no cemitério da cidade, na noite antes de eu partir para universidade. Enterrei meu pai e minha mãe, me enterrei num buraco sem fim numa vida sem sentido algum, a oportunidade da universidade surgiu e vejo nela a luz para tentar me guiar para fora desse buraco.

Passei horas e horas sobre o túmulo de minha mãe conversando e lembrando o pouco que se lembrava dos nossos momentos juntos, deixei mais margaridas para ela e enquanto me locomovia à lápide de meu pai, armei meu guarda-chuva para me proteger da chuva rala que caia no momento.

Ao chegar, um minuto de silêncio acompanhado de um longo suspiro, visitá-los aqui causa pontadas em meu coração, que poderiam ser mais fracas se eu conseguisse derramar uma única gota d'água dos meus olhos. Por fim, olho para o túmulo do meu pai e digo em voz baixa:

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- Eu estou indo para a universidade amanhã, pai, procurar a luz no fim do túnel nessa minha vida sem razão, tão vazia e incompleta... talvez eu pegue algum curso longo para poder manter minha cabeça ocupada o maior tempo possível. Eu vou ser alguém da vida, pai, eu lhe prometo, eu vou ser alguém...

Eu abaixo a cabeça e digo:

- Eu espero conseguir te orgulhar, de alguma forma, eu espero que eu não seja apenas algo em vão. Eu espero também que onde quer que você esteja o senhor esteja feliz.

Eu então dou uns passos atrás e saio andando. Finalmente acordo com contínuas batidas na porta.

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