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Capítulo 4/Parte 2
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Nome Capítulo 4/Parte 2
Escrito por MorgaineLeFay
Data de lançamento 07 de maio de 2014
Simsérie Antítese

Cronologia
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Propriedade

Antítese - Capítulo 4/Parte 2 é de propriedade de MorgaineLeFay. A menos que a edição seja construtiva ou de poucos detalhes, peça permissão ao autor para editar a página.
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Voar em uma vassoura era uma experiência singular. Algum feitiço prendia a bruxa a ela de modo que uma queda se tornava inverossímil. E Samanta sabia para onde ir: a Fortaleza da Luz Infinita surgiu diante de seus olhos como um oásis após pouco tempo de vôo. Se fora transportada para outra dimensão, ela não sabia, mas tinha certeza de que aquele lugar não poderia ser encontrado em nenhum mapa.

Após um pequeno período reverenciando a imensidão daquela construção - quantos feitiços teriam sido necessários? - Samanta se atreveu a subir os muitos degraus até a entrada. "Sob outras circunstâncias, eu não teria meu coração batendo na boca como ele está agora. Sob outras circunstâncias, talvez não estivesse desesperada, e sim maravilhada. Eu viveria mil anos, eu seria a garota dele", ela pensava, enquanto movia os pés.

Quando entrou no saguão do palácio, voltou o rosto para a entrada - pareceu-lhe que ouvira algo -, mas não havia nada para ser visto ali. Porém, de uma porta saiu Fábia Alberta, com mais um de seus relâmpagos verdes. Porque sorria emocionada, e Samanta sabia o que isso queria dizer, já se adiantou:

- Não me abrace, por favor.

Fábia parou diante dela, respeitando a ordem.

- Como quiser, Samanta. Mas fico feliz de que esteja aqui. - A outra sorriu.

- Aqui é o lugar que me resta. Simone descobriu tudo, por isso saí de casa.

- Ah, Simone, Simone... tão impetuosa... Vocês são tão parecidas fisicamente quanto diferentes emocionalmente.

- Também posso ser impetuosa.

- É claro, essa qualidade é necessária para ser uma bruxa. Diga-me, como estão suas habilidades?

- Tenho treinado muito, creio que já atingi um nível alto. Mas ainda não brilho, e isso é útil para viver entre os humanos normais, embora me contrarie um pouco.

Fábia pareceu satisfeita, e abriu um sorriso largo.

- Ah, uma bruxa perfeita! Não se preocupe, em breve você brilhará mais forte do que eu. Agora que está em casa, não precisará mais sair, não estará mais em perigo...

- O quê? - Samanta se mostrou aflita - Nunca mais sair? Mas eu preciso sair! O Gabriel ainda está desaparecido!

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- Você não pode fazer mais nada por ele, agora... É melhor se resignar.

- Como posso me resignar? Estou esperando um filho dele! Não vou deixar que ele morra, como meus pais morreram!

- Samanta, por favor, por favor, não se coloque em risco! Fique aqui, onde é seguro! Estamos tentando encontrar não apenas o Gabriel, mas todos os desaparecidos! Tenha sua filha aqui, ela certamente será uma bruxa como você...

- Não posso abandonar o homem que amo e não abandonarei minha irmã - ela se preparou para descer as escadas, e começou a fazê-lo, mesmo que Fábia a seguisse.

- Você não quer colocá-la em risco, Samanta! Você quer que ela nasça em segurança! É mais forte do que você!

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- O que entende você disso? Me dê licença, eu não coloco mais os pés aqui.

Samanta precisou de um mês para alugar uma casa, bastante afastada e bem escondida, e telefonou para seu emprego a fim de notificá-los de que não retornaria lá, após meses de ausência. Recebeu uma resposta pouco educada. Daquele dia em diante, trabalharia fabricando e vendendo itens mágicos em seu caldeirão.

A parte mais complicada era sair para procurar Gabriel. Já havia um brilho pálido saindo de sua própria pele que se tornava mais forte à medida que ela fabricava itens mágicos ou lia o livro de feitiços, mas vender aqueles objetos era essencial para que ela pudesse manter e mobiliar sua casa. "Sua filha, Fábia disse... sim, talvez ela tenha visto, ou simplesmente sentido!", pensava. Uma menina era o melhor que podia esperar: as bruxas só podiam transmitir seus segredos mágicos para meninas que tivessem sangue de linhagem completamente feminina - a filha de uma irmã, por exemplo, mas não a de um irmão. Ou a própria filha, o que era ainda mais poderoso. Que nome daria? Precisou ler o livro de feitiços em busca de nomes de bruxas famosas, e a maior parte eram sacertotisas celtas que ela conhecia por outras vias, como "Morgana", "Niniane", "Viviane", "Nimue", "Nimueve"... Eram muitas opções.

E a criança precisava ao menos conhecer o pai. E a melhor maneira de encontrar Gabriel seria levando a notícia de seu desaparecimento para mais pessoas. Por isso, Samanta decidiu procurar um jornal.

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O editor não entendeu que era uma esperança para ela. Quando lhe informou que seu namorado havia desaparecido, deixando-a grávida, pareceu olhar aflito para a matéria brilhante que exalava da pele de Samanta. Por um segundo, ela teve certeza de que ele sabia o que sua visita significava, e então perdeu as esperanças de ter seu texto publicado por aquele jornal.

- Me desculpe, Srta. Cordial, mas esse é um caso muito sério e a senhora deveria procurar a polícia primeiro - ele disse.

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E Samanta procurou a polícia. E o delegado, na sala abafada e malcheirosa, sentado em sua cadeira barata, disse que não podia fazer nada.

- COMO não pode fazer nada? O senhor é policial, tem o dever de encontrar meu namorado! - Talvez ele também soubesse.

- Sinto muito mesmo, Srta. Cordial...

- Eu vou reclamar com o seu superior, está bem?

- A senhorita pode até reclamar, mas ele também não irá fazer nada. O melhor a fazer é voltar para sua casa e ficar lá, quieta... escute o que lhe digo!

- É melhor o senhor fazer alguma coisa, ou irei ao Programa do Edwin Milton!

Aquilo pareceu assustá-lo. Edwin Milton era o apresentador de um programa policial exibido nacionalmente, e que tinha um índice de audiência bastante alto. Os criminosos que a polícia não prendia, Edwin a fazia prender. Aquilo sim era sua última esperança.

- Não! Digo... está bem, Srta. Cordial. Colocaremos algumas viaturas procurando o Sr. Grino.

Ainda assim, ela sabia que ele não faria nada.

Samanta saiu bufando dali. Nos dias seguintes, ignorando completamente o perigo que corria - uma bala nas costas -, ela andou pelo centro de Enseada Beladonna colando panfletos nas paredes. Decidiu, por fim, procurar o apresentador de tevê.

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A sala em que Edwin Milton em pessoa a recebeu era bastante maior do que a do editor do jornal e do delegado. E ele também foi mais educado. Samanta lhe contou tudo sobre a união protetora, mas dizendo que era uma sociedade secreta que vinha baleando pessoas acusadas de bruxaria, "É claro que essas coisas não existem, não é, Sr. Milton?", ela riu ao dizer. Contou como supostamente mantiveram seus pais em cativeiro e torturaram-nos até a morte, sem esconder que poderiam estar fazendo o mesmo com seu namorado. "Talvez vocês não tenham provas suficientes para atestar a veracidade de minha história, mas podem ao menos notificar o desaparecimento do Gabriel e a negação do delegado de Enseada Belladonna em me ajudar?", ela perguntou. A essa altura, Edwin estava chocado, e garantiu-lhe que seu pessoal descobriria tudo o que precisasse ser descoberto.

Ela não assistiu à reportagem, que foi ao ar uma noite depois, mas, na tarde seguinte, ao ligar sua televisão, viu as proporções que sua denúncia havia tomado: a história de Samanta, Gabriel, a União Protetora e o delegado incompetente eram notícia em todas as emissoras. Era o início do fim da União Protetora.

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Samanta pensava que, se tivesse ajuda de Fábia e das outras bruxas, provavelmente conseguiria dar um fim naquilo mais rapidamente... mas ela precisaria de Fábia para ter acesso às outras... ou será que não? Vasculhou seu livro de feitiços em busca de algo sobre convocar outras bruxas. "Houve uma reunião na frança do século XV, outra em Salem, no século XVII... que acabou mal... muitas no Haiti... Ah, aqui! A maior convenção de bruxas aconteceu em 30 de maio de 1988, em Carlton Hill, e foi possível graças à devolução da liberdade de culto das... as reuniões são convocadas por uma bruxa, que deve estar no local de encontro e pronunciar as palavras mágicas apello amicis nostrii. Bem, isso é suficiente".

De volta à Fortaleza da Luz Infinita, Samanta sentou-se na extremidade da mesa de cristal do pátio, onde imaginara que seria um bom lugar para a reunião, e pronunciou as palavras. Após segundos, as bruxas boas começaram a materializar-se em suas caderias, Fábia Alberta, a Bruxa Infinitamente Boa, na extremidade oposta.

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Ainda haviam duas cadeiras vazias, próximas a Samanta. Quando ela tocou aquela à sua esquerda, um espectro verde desprendeu-se da cadeira e flutuou por alguns centímetros, formando a palavra "Bárbara Cordial". Aquela deveria ser a cadeira de sua mãe. Todavia, não teve tempo para pensar mais naquilo, já que as bruxas esperavam que falasse.

- Muito bem - ela disse, vacilante - devem se perguntar por que as convoquei aqui. Não sei como as coisas são feitas no Mundo Mágico, já que me tornei bruxa em tempos atribulados, mas o livro de feitiços tem me ajudado bastante, e gostaria que me corrigissem caso eu tenha feito algo errado.

- Você não fez nada errado, filha de Bárbara - disse, bondosamente, uma das bruxas - e imaginamos por que nos chamou.

- Bem, espero uma criança de um humano. Este humano, como minha mãe e meu pai, foram levados por outros humanos. Todas as senhoras certamente sabem sobre a União Protetora.

Elas assentiram.

- Ainda assim, tudo o que fazemos é nos esconder e esperar que matem mais de nós. Ou que sequestrem aqueles que amamos, e os usem para nos encontrar. Isso não é papel de bruxas que se dizem infinitamente boas.

- O que você sugere? Não podemos tocar em humanos para lhes fazer mal, por pior que eles sejam. Desta forma, torna-se difícil! - disse outra bruxa.

- Nós não queremos fazer mal a eles. Queremos compreendê-los. Queremos coexistir, como fizemos desde o Iluminismo até agora, e como fazíamos antes da caça às bruxas.

- O que você sugere?

- Sugiro, primeiro, observação. Precisamos descobrir quem são eles e por que estão nos matando, precisamos chegar até o líder. Por Deus, ou pela Deusa, precisamos fazer alguma coisa!

Sim, o nome da Deusa pareceu fazê-las pensar.

- Concordo com a garota, ela sabe o que diz. E você, Fábia, não fala nada? - disse uma terceira bruxa.

- Deixem que Samanta pense nos detalhes de seu plano. Depois, nós o colocaremos em prática. Esta é minha palavra - ela decretou, solene, mas inexpressiva.

Todas as presentes, à exceção de Fábia, sorriram. Depois, conversaram um pouco sobre os feitos de Bárbara Cordial, felicitaram Samanta pela gravidez e desapareceram novamente. Ela também voltou para a própria casa, à espera do crepúsculo, quando iria procurar Castida Gerão.

Novamente sobre a vassoura - apesar de que usá-la se tornara desconfortável conforme sua barriga crescia -, Samanta voou noite adentro até a casa imunda em que Castida fora vista pela última vez. Com dificuldade, andou até a porta, onde a vampira apareceu.

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- Quero falar com você.

- Então entre, não podemos nos dar ao luxo de ficar aqui fora. A não ser que você queira levar uma bala.

Quando entraram, Castida continuou.

- Sabe, na verdade eu adoraria que você levasse um tiro.

- Isso é recíproco, acredite - mas não era.

- Ha! Então você deu um filho pra ele, hein? - Castida disse, em tom de deboche - Eu sempre quis dar um filho pra ele, mas ele nunca quis um filho meu. E por que você tem que ser diferente de mim?

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- Me diga onde ele está! Está aqui com você?

- Você quer saber por quê?? Quer levar ele embora?

A discussão começou a se tornar cada vez mais tensa.

- Não, se ele estivesse aqui eu deixaria vocês em paz.

- Você nunca deixaria ele em paz, como eu nunca deixarei! Ah, se não fossem esses otários brincando de tiro ao alvo com a gente, você não sabe o que eu teria feito!

- Ele pode estar sendo torturado agora, você tem noção disso? Se você souber onde ele está, precisa me dizer!

- Eu não diria! Jamais! E se quer saber uma coisa, acho que não quero que você...

- Parem agora, as duas!

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Simone Cordial entrou pela porta destrancada e se colocou entre Castida e Samanta. Depois, puxou a irmã para fora daquela casa imunda, enquanto Castida gritava "Grávida! Hahahahahaha! Ela acha que vai se salvar e que vai salvar o bebezinho!! Nós vamos todos morrer, sua idiota! Suas idiotas!! Ah, irmãzinha, irmãzinha!".

- Me deixe... Me deixe dizer a ela que... - Samanta resmungou, agitada, já em plena rua.

- Whoah! Calma! Já passou! Ela não sabe onde ele está! Você tá bem?

- Sim, estou, eu... ah, Simone! Como é bom te ver!

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As duas gêmeas Cordial enfim se abraçaram, após meses de distância e anos de rivalidade.

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