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Capítulo 3
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Nome Capítulo 3
Escrito por [[Usuário:MorgaineLeFay|MorgaineLeFay]]
Data de lançamento 24 de março de 2014
Simsérie Antítese

Cronologia
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Propriedade

Antítese - Capítulo 3 é de propriedade de MorgaineLeFay. A menos que a edição seja construtiva ou de poucos detalhes, peça permissão ao autor para editar a página.


Antítese - Capítulo 3

Samanta Cordial encontrou em Gabriel Grino o amigo de quem tanto precisava. Passava horas em sua companhia, não por falta de opção, e sim por desejo mútuo. Gabriel era o tipo de pessoa com quem ela podia falar do que quisesse e que a ajudava em qualquer coisa que pedisse. Isso aliviou a relação das gêmeas, que haviam convivido por um ano quase exclusivamente uma com a outra.

Eram os dias mais felizes para Samanta desde que era uma garotinha vendo pinturas antigas com sua mãe. Simone, por sua vez, passava por tempos difíceis. Samanta nunca soube que há semanas sua irmã vinha se encontrando com Frances Matilda, a antítese perfeita de Fábia Alberta, a bruxa que comandava a Fortaleza da Escuridão Eterna.

Simone voltava de seu emprego na carreira militar, no início da noite, quando ouviu um "psst" vindo detrás de si. Quando virou-se para ver quem a chamara, teve um sobressalto. A metros dela estava parada uma figura anfíbia, uma mulher estranha de pele muito verde da qual emanava uma substância também desta cor. Simone precisou de pouco tempo para perceber que era uma bruxa, mas não igual a Fábia, que usava coisas claras e brilhava.

Não, a própria existência daquela bruxa denunciava sua condição: devia ser uma "das trevas", como ouvira certa vez sua mãe contar ao pai.

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Por curiosidade - jamais admitiria para si que na verdade confiava o suficiente em seres sobrenaturais para colocar-se ao seu alcance -, Simone permaneceu parada e esperou que a bruxa chegasse até ela. Percebeu que apesar da pele desconcertante, aquela criatura conseguia ser bela. De fato, fascinante.

"Bom dia, Simone Cordial.", a bruxa a cumprimentou. "Eu me chamo Frances, Frances Matilda, e estou vendo que a fadinha não protege mais vocês como deveria! Ora, eu poderia ser da União Protetora, poderia sequestrá-la ou atirar em você... não é assim que eles matam a gente, na covardia, pelas costas, sem avisar?"

"Mas você não é", Simone respondeu. "Você não é humana. Diga por que está aqui."

"Ora, ora, Simone! Está claro que essa baboseira de florzinhas, vestidinhos brilhantes e amor no coração não é pra você. Mas sabe, eu posso te dar o que você quer. Você está cansada de ficar aí escondida, você quer lutar, não quer? E a Fábia? Ela acha que pode trancar vocês e depois despachar gente pra vocês cuidarem? Ela só quer se livrar de trabalho"

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Simone percebeu que cada palavra era verdade. Sim, de fato estavam sendo usadas, ela e a irmã, e de fato Simone se ressentia daquilo, e ela realmente não havia gostado da ideia de hospedar Gabriel Grino, e jamais entendeu por que tivera que se separar da mãe sem nunca mais receber nem uma mísera carta!

"Venha comigo! Vou te mostrar um lugar melhor para você! Venha, você sabe que quer vir", Frances sibilou, convincente. Entre em sua casa e tire esse uniforme, depois volte para cá. Eu estarei esperando. Melhor nem falar com ninguém."

Simone obedeceu. Passou por Samanta, que tocava piano para Gabriel, estasiado, sem dizer uma única palavra, e foi para seu quarto.

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"Ela nem falou oi", Gabriel comentou
"Sim... Pode ser só impressão, mas ela está muito estranha!", Samanta respondeu, parando de tocar. Em pouco tempo, Simone desceu as escadas correndo, e correndo foi até a porta.

Vingança pelo quê? Por ter passado um ano e meio trancada com a irmã que em um momento ela odiara e agora aprendera a amar? Por nunca mais ter visto os pais, e nem saber o que aconteceu com eles? Epa. Ela estava começando a pensar.

Trocou de roupa e andou a passos largos até a rua. Samanta correu atrás da irmã - elas jamais saiam à noite -, e teve que gritar para que ela ouvisse: "Onde você vai? Já está de noite!"
"Me deixa, Samanta! Eu prometo que volto logo!", respondeu a irmã, sem virar-se.

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Frances Matilda estava ali, esperando, oculta nas sombras. Ela se aproximou de Simone, que disse, contrariada: "Não sei mesmo por que tenho que ir com você. Eu nem conheço você, e... Olha pra você! Você é verde e brilha!", ela disse rudemente.

"Ah, Simone, Simone... Tão desconfiada de quem não deveria... A Fábia trata vocês como se fossem de quebrar, qualquer coisinha magoaria vocês! Eu não me surpreenderia se você nem soubesse que a Bárbara está morta!"

"Eu sabia", Simone pensou. "Eu sempre soube! Eu tentei não pensar nisso, eu tentei acreditar, eu queria acreditar que... Eu queria acreditar que eles iriam estar aqui pra cuidar de mim!". Simone se sentiu sozinha. Seus pais estavam mortos. Ela era órfã, provavelmente tinha sido há muito tempo sem saber.

"Como isso aconteceu?", ela perguntou.

"Na mesma noite em que vocês vieram para cá, seus pais foram capturados. A Fábia foi realmente negligente, tsc, tsc, tsc... Deixou que os humanos pegassem sua pobre mãe e seu pobre pai! Bárbara era realmente uma bruxa fantástica, até eu tenho que admitir isso, mas quando as bruxas ficam em lugares distantes de seu alinhamento, elas acabam perdendo os poderes. Bárbara já não era nada quando morreu afogada."

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"Afogada??", Simone surpreendeu-se.

"Sim, olhe, é bem difícil dizer isso, mas seu pai e ela foram mantidos reféns... A união protetora queria saber para onde vocês haviam sido levadas... E a união protetora não tem escrúpulos, você sabe. Sua mãe e seu pai foram torturados, pra salvar vocês". As palavras que ouviu em seguida eram exatamente as que Frances esperava:

"A Fábia me paga por isso!"


"Era aqui que queria me trazer?" A casa era pequena e muito malfeita, e do exterior já se sentia o cheiro de cerveja choca e cigarro. O local era bastante escondido, por isso os moradores, quem quer que fossem, podiam se dar ao luxo de deixar as luzes acesas e a música muito alta.

Frances abriu a porta com um feitiço, e entrou, puxando Simone. O ambiente era imundo, havia muito mofo e o cheiro de cigarros era bastante forte. Samanta teria ficado chocada, mas Simone apenas se lembrou com saudade de sua adolescência rebelde. "Na verdade, há muitas coisas com as quais Samanta ficaria chocada", Simone pensou. Dois seres dançavam no meio da sala quadrada e quase sem móveis de modo frenético. Simone passara por ambientes idênticos exceto por uma coisa: os dois seres, uma fêmea e um macho, tinham olhos muito vermelhos e pele bastante cinza.

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"Olá, Castida e Klaus! Será que vocês podem parar de vagabundear por um minuto para ver nossa visita?" Castida foi a primeira a se aproximar, com olhos sedentos. O macho, que deveria ser Klaus, a seguiu. Simone já havia percebido, então, que aquela deveria ser Castida Gerão, ex-namorada de Gabriel Grino. Durante os seis meses de convivência, ela, Samanta e Gabriel haviam conjecturado várias vezes que Castida poderia ter se tornado uma vampira, mas tinham certeza de que ela havia sido capturada pela União Protetora, e morta.

"Ah! Uma das gêmeas Cordial! Que gracinha, que gracinha! Vocês estão com o meu garotão, não é? Diga, ele sentiu minha falta?", dizia a vampira, cuja voz se parecia com miados de gato.

"Ele acha que você está morta", Simone respondeu com desprezo.

"Sim! Ele não acharia isso se não tivesse encontrado o presentinho que eu mandei pra ele, não é? Na verdade aquilo ali foi minha primeira vítima, sabe? Mas o Gabrielzinho não podia vir me procurar, isso iria estragar vários planos! Ah, se eu soubesse não teria mordido ele... Mas eu só tomei um pouquinho, só fiz ele desmaiar!", ela terminou sua fala olhando para Frances como se implorasse por algo.

"As ordens sempre foram claras: não morder ou não deixar vivo! Se o pessoal da Samanta não tivesse pego ele, a esta hora seu namorado teria tido o mesmo fim dos pais da Simonezinha ali!", decretou Frances. "Agora você entende, querida? Te trouxe para cá para você ver que nós também temos nossos esconderijos, nós, bruxas más, damos asilo para os seres que suas bruxas boas não querem por perto! O que seria do pequeno Klaus se eu não o tivesse trazido para cá? Bem, não teria tido a irresponsabilidade de criar a pobre Castida! E ela, para onde ela iria se não houvesse meu barracãozinho? As coisas não são como você pensa, Simone!", e observou, satisfeita, enquanto os dois vampiros e a humana dançavam ainda mais.

Simone passou horas conversando com aqueles dois vampiros sobre planos para derrotar a União Protetora. No caso dos vampiros era difícil ficar sozinhos naqueles tempos difíceis, já que morriam quando expostos ao sol. Não raro o local onde o caixão de um vampiro ficava durante o dia era descoberto, e seu corpo era arrastado para o ar livre e queimado impiedosamente, enquanto a vítima se contorcia de agonia. Simone deixou-se envolver pela conversa, pela música e pela bebida, e só chegou em casa quase ao amanhecer.

Samanta, furiosa, a esperava, sem dormir. O jovem Gabriel havia sido muito generoso em acompanhá-la durante cada minuto da insônia, e agora ajudava-a a distrair-se cozinhando algo para o café da manhã. Assim que viu a irmã entrar, ela largou as panelas e foi rapidamente interrogá-la.

"Onde é que você estava?"
"Saí com uns amigos..."
"Você nem tem amigos!!"
"E você não é minha mãe!", ela se lembrou de Bárbara e desistiu de gritar para defender-se.
"Bem, se você não vai me contar onde estava só posso te dizer que passei a noite inteira acordada, esperando você chegar, e eu não preciso disso, então é melhor me dizer pelo menos se vai demorar, porque aí eu não faço papel de palhaça! Ei! Onde você acha que vai? Está me ouvindo? Simone! Simone, venha aqui AGORA! Simone!!", ela a seguiu até o quarto, mas Simone fechou a porta e trancou.

Deitou na cama, exausta, e dormiu.

Quando acordou já era dia alto e estava quente. Ela tomou banho e voltou para a cama. Sabia muito bem que Frances queria sua ajuda para alguma coisa, provavelmente para derrotar Fábia Alberta, e isso ela não ia fazer. Bem ou mal, Fábia lhes dera aquela casa para viver, e talvez pensasse que estava fazendo a coisa certa não contando sobre Bárbara. É claro que queria que tomassem conta de algumas pessoas, mas isso poderia ser considerado apenas pagamento pela mordomia. Mas se sentiria uma traidora se ajudasse Frances no que quer que fosse, e também se sentiria traidora se a denunciasse para Fábia. Queria ser neutra, precisava ser neutra. Precisava acabar com aquilo, precisava dizer "Olhe, eu não vou te ajudar".

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Simone se atreveu a sair do quarto. Gabriel deveria estar dormindo no seu - não o deixavam trabalhar - , e Samanta havia saído. Nem se não dormisse há dias teria matado o emprego.

Vestida, saiu pela porta em direção a um lote que não estivesse sendo frequentado naquela hora. Não ia conseguir pensar direito se ficasse em casa. Entrou em uma praça bastante arborizada, onde não havia vivalma, como ela havia imaginado, exceto por um brilho verde. Frances estava ali, e a observava.

Ela empurrou a bruxa até uma pequena sala coberta onde haviam máquinas de vender refrigerante. "O que você está fazendo aqui? É dia, alguém pode ver você!"
"Simone, querida... Eu sou a Bruxa Infinitamente Má, nenhum revólver humano é capaz de me pegar hoje", ela disse, indulgente. "Além disso, precisava conversar com você e não posso entrar naquela casa. Há feitiços lá, como há na nossa. Vim te propor uma coisa ótima, escute! Preciso que você escute tudo o que a Fábia disser, escute, guarde, e me conte, entendeu? Ela está fazendo uma coisa realmente ruim e..."

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"Ora!", Simone disse, com desprezo, "você realmente acha que eu sou idiota? Quem é a bruxa infinitamente má aqui? Diga logo o que quer!"

"Não muita coisa, Simone querida, posso assegurar! Só quero saber o que ela anda falando, depois preciso que..."
"Mas é claro que farei isso!"
Frances assustou-se. "Vai fazer? O quê? Mas isso é... é maravilhoso!"
"Claro que vou fazer, mas não de graça". Ela se tornou austera e disse as palavras mágicas: "Ensine-me o caminho das trevas."

A varinha de Frances tremeu em sua mão, a ponto que para segurá-la ela cravou as unhas na palma da mão e gemeu com a dor. Ela precisava dominar a varinha, não podia ceder àquelas palavras, porque Simone Cordial não deveria ser feita uma bruxa do mal.

"Oh, querida, não posso fazer isso agora! Você não está pronta! Mas eu prometo que assim que estiver..."
"Besteira. Você não me transformaria em bruxa nem que eu fosse pior do que você. Meu pai está morto e minha mãe está morta, e eu não irei cair em nenhuma armadilha, em nenhuma picuinha que vocês queiram inventar! Adeus, Frances Matilda", ela disse, indignada, e voltou a pé para casa.

Assistiu televisão até que Samanta chegasse - percebeu que Gabriel havia ido com ela para o emprego, até onde aquele grude iria? -, e sentiu-se grata quando percebeu que atrás dela vinha uma visita. Fábia Alberta estava ali, e, por ter entrado na sala sem dizer uma palavra, quase passando por cima de Samanta na proporção que seus modos educados permitiam, Simone percebeu que estava furiosa.

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"Samanta! Me desculpe, mas essa é a primeira vez que venho visitar vocês por um motivo não muito bom... Preciso advertir certas pessoas aqui de que estão andando com companhias muito ruins!", ela disse, e Simone se levantou para enfrentá-la como deveria.


"Se essas companhias são tão indevidas, por que elas me contam mais coisas do que você?", Simone respondeu, tão altiva quanto a bruxa que tinha à sua frente. Por um momento, Fábia estremeceu e fraquejou. "Diga-me, por que Frances Matilda..." Um relâmpago verde chacoalhou a casa, e a pessoa cujo nome Simone pronunciara entrou subitamente na casa onde sua presença deveria ser proibida.

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"Ah!!! Então a Fabi está aqui?? E ela veio fazer o quê, dar bronquinha??"
"O que você está fazendo aqui??", Fábia Alberta disse.
"Você veio dar bronquinha, como se você fosse a mamãezinha..."
"Cale a boca!", disse Simone.
"Tipo 'Ah, meus bebês, eu vou dar casa e comida sem nada em troca'"
"Fique quieta! Você nem deveria ter entrado aqui!"
"Ah, cale a boca, Fábia! Ou use por um bom motivo! Quando é que você vai contar para seu bebezinho Samanta que deixou os pais dela morrerem, hein?"

Todos ouviram um gemido bastante agudo. Era Samanta, que se retorcia e agarrava o rosto com as mãos.

"Falei pra ficar quieta!", Simone disse, mas Frances gargalhava, e por isso não ouviu.

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"Eu tinha certeza absoluta!! Ela não ia ficar sem mandar c... c... cartas!! Você m... me enganou! COMO VOCÊ PÔDE?? NÓS C... CONFIAMOS EM V... O C... CÊ!!"

"Calma, irmã! Calma!"

"O t... tempo todo, eles... Eles estavam... E você nem..."

"Seu pai morreu de tanto levar choque elétrico e sua mãe afogada! HAHAHAHAHA!!!!"

"PAREM COM ISSO! QUEREM QUE ELA..." a voz consoladora de Gabriel foi tudo que Samanta conseguiu distinguir naquele momento de dor extrema. A distância que a separava dele era o aspecto mais insuportável naquele milésimo de segundo.

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