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Capítulo 2
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Nome Capítulo 2
Escrito por [[Usuário:MorgaineLeFay|MorgaineLeFay]]
Data de lançamento 16 de março de 2014
Simsérie Antítese

Cronologia
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Propriedade

Antítese - Capítulo 2 é de propriedade de MorgaineLeFay. A menos que a edição seja construtiva ou de poucos detalhes, peça permissão ao autor para editar a página.


Antítese - Capítulo 2

Samanta e Simone foram levadas para muito longe. Por horas estiveram dentro daquele táxi, até que o dia clareasse, o sol nascesse e já houvesse passado pelo meio do céu. Como acontecia quando estavam assustadas, as gêmeas agiam com movimentos iguais, geralmente sentadas eretas com uma mão em cada joelho. O que mais apavorava Samanta era o tempo que teria para pensar, e as coisas terríveis nas quais pensaria, por isso tentava manter a mente vazia. O que mais apavorava Simone era a certeza de que nunca mais veria os pais, e o fato de desconhecer o que viria pela frente.

O motorista não dizia uma palavra. Do pouco que sabia das artes mágicas, Samanta deduziu que estivesse enfeitiçado, e, embora concluísse que poderia falar o que quisesse e ele não ouviria, a perspectiva de dizer o que fosse para Samanta lhe parecia pouco convidativa. Assim, durante a longa viagem, as gêmeas permaneceram o tempo todo em silêncio. Viram, ao longe, os prédios imensos que apareciam, e por fim Enseada Belladonna apareceu inteira. Seu novo lar. A cidade cheia de pessoas que as esconderia da perseguição e da morte.

O carro entrou em um bairro antigo, com casas, e não edifícios. "Estranho", disse, por fim, Samanta para Simone. "Pensei que a gente fosse morar em prédio, no meio de muita gente". "Prefiro casa, odeio coisa nova", a irmã respondeu.

O carro parou diante de uma casa muito maior do que a que moravam anteriormente. "Bem vindas, senhoritas Cordial. Essa é sua nova casa", o motorista disse, sem nenhuma emoção. As gêmeas desceram e pegaram suas malas, e entraram na casa sem esperar o carro partir.

Deixaram as malas perto da porta da frente e se sentaram no sofá, exaustas.

"Você acha que mamãe e papai estão bem?", Samanta perguntou, depois de quinze minutos.
"Deixe de ser idiota, é claro que não! Você acha que mamãe ficaria bem sem saber onde a gente está?"
"Que jeito egoísta de analisar, Samanta..."
"Me desculpe se eu sou realista, ao contrário da família inteira. Também não me interessa se ela está bem ou não, o que ela merece depois de mandar a gente pro fim do mundo é o sofrimento mesmo!".
"Não vou ficar aqui discutindo com você como eles estão! Eu vou lá pra dentro, quero tomar um banho, estou imunda!", Samanta disse, em voz desnecessariamente alta, e se levantou.
"Vai, vai mesmo! Depois eu é que sou sem coração! Como você pode querer tomar um banhozinho quando está a um ponto de ser morta? Se você não sabe, tem gente querendo matar a gente!", Simone gritou, e se levantou atrás da irmã. "É, deve haver uma razão séria pra mandarem a gente pra cá, você não acha? Prevenção? Eu diria que é proteção mesmo, sim senhora! E quer saber de uma coisa? A essa altura já devem ter pegado a mamãe e o papai!".
"Não fale essas coisas! É claro que eles estão bem! Devem ter ido pra esse lugar aí que a mamãe disse que iam! Você pode acreditar que seus pais estão mortos, você é uma psicopata e deve até achar bom, mas eu não!"
Simone voltou a se sentar no sofá, sem uma palavra. Olhava para frente. Samanta, silenciosamente, se sentou também.

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"Olha, me desculpa. Eu não acho que você esteja achando bom estar aqui, nem ficar sem saber onde eles estão, porque eu também não acho. Deve ser isso, muita tensão... Deve haver um motivo pra terem nos mandado pra cá, e você pode chamar isso de auto-proteção, mas eu prefiro acreditar na melhor alternativa. Acho que logo vamos ter notícias da mamãe", Samanta disse, devagar.
"Tá com fome?", disse Simone.
"Tô"
"Acho que a gente pode ver se tem alguma coisa pra comer, né?


Fábia Alberta as visitou muitas vezes durante o primeiro ano que passaram naquela casa. Por meio dela, souberam que Bárbara e Danilo Cordial estavam muito bem no mundo mágico, mas que se preocupavam muito com as filhas e ela precisava sempre garantir que estavam bem. As gêmeas souberam que seus pais não lhes mandavam cartas e nem ligavam porque tinha-se medo de que a correspondência fosse interceptada. À noite, cada uma em um quarto no oposto da casa, as gêmeas choravam abraçadas a seus travesseiros. Quase não saiam de casa e em geral não falavam com ninguém, tendo apenas uma à outra como companhia.

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Depois de um ano, ganharam a confiança da bruxa. Estavam sentadas na sala de estar, as gêmeas recebendo Fábia com a cortesia de boas donas de casa, quando receberam a notícia.

"A união protetora está mais forte a cada dia. A única forma de ataque que nós, bruxas, temos é por meio de nossas poções. Mas se uma bruxa está sendo perseguida, ela pode deixar uma poção para os humanos beberem?" Ela riu. "É claro que não... Mas a associação protetora também está perseguindo humanos, supostamente envolvidos com gente do mundo mágico. É o caso de vocês, por exemplo. Nós não podemos esconder humanos no mundo mágico, a não ser que sejam crianças pequenas e filhas de bruxas ou que sejam maridos ou amantes de bruxas. Mas essa casa aqui serve para isso. Coloquei alguns feitiçozinhos aqui antes de vocês chegarem, a casa está protegida de visitantes inesperados (me pergunto se já perceberam isso), inclusive da União Protetora. É isso, meninas. Preciso que escondam alguns humanos pra mim", ela concluiu.

Como Simone ficou quieta, Samanta tomou a liberdade de responder. "É claro que faremos isso, Fábia. Sabemos como é ruim estar nessa situação. Mamãe ficaria orgulhosa, não é?". Tiveram a impressão de que Fábia hesitou um pouco ao responder "É claro". Ela precisou de um tempo para controlar a voz, olhando para baixo, e continuou. "Uma aliada nossa trará o visitante às dez horas da noite, está bem?", perguntou. As gêmeas assentiram. Trêmula, Fábia se dirigiu para a porta, montou em sua vassoura e em poucos instantes já havia ido embora.

Gabriel Grino chegou, como combinado, às dez horas da noite. Quando a campainha tocou, as gêmeas tiveram uma pequena discussão sobre quem abriria a porta. O argumento "Você parece tão feliz por abri-la para a Fábia, agora vai lá" convenceu Samanta, que recebeu a inusitada visita.

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Gabriel era um homem jovem, provavelmente pouco mais velho do que as gêmeas, e, a despeito da aparência desleixada, Samanta o achou bastante atraente. Era trazido por uma senhora que parecia bastante idosa e usava uma longa saia e lenços por todo o corpo.

"As pessoas me chamam de Cigana Casamenteira", ela disse, "O que eu acho uma falta de respeito, eu tenho cara de Badoo? Me chame de Cigana, Cordial. Ah, e está aqui esse filho de Deus. Dê uma coisa forte pra ele comer, parece um morto de fome. Boa noite". A Cigana saiu arrastando os chinelos, sem olhar para trás.

"Entre, Sr. Grino", Samanta disse, e abriu mais a porta para que ele pudesse passar, por sinal bem próximo dela.

"Por favor, m.. me chame de Gabriel", ele respondeu. Simone havia posto a mesa da cozinha com o macarrão com queijo que Samanta fizera com antecedência, e, após cumprimentarem-se, sentaram-se para comer.

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"M... m... me desculpa, m...mas será que vocês são... bruxas?", ele perguntou, já na segunda garfada.
"Não, aliás viemos para cá porque nossa mãe é bruxa e está na lista negra, e como somos humanas não podemos ir para o Mundo Mágico, que é pra onde levaram ela", Simone explicou, já que Samanta estava ocupada demais analisando o ângulo entre o nariz e o lábio superior de Gabriel.
"Ah. Que... que pena. No meu, no meu caso foi a minha namorada."
"Namorada?", Samanta surpreendeu-se. "A União Protetora a pegou?"
"Aquela bruxa acha que sim, pegou. Na... na verdade não era bem namorada, era... era tipo ficante, um caso."
"Ahh bom!", Samanta quase sorriu.
"Mas a gente morava junto!", o rapaz disse a primeira frase sem gaguejar, talvez fosse a sensação de comida no estômago acalmando-o. Antes que Samanta pudesse fazer outra pergunta comprometedora, Simone percebeu o embaraço da irmã e perguntou o que havia acontecido com a namorada de Gabriel.

"Bom, a Castida, ela... Ela era ótima, entende? Do tipo de pessoa que faz a gente se apaixonar mais a cada dia. O dua em que ela sumiu tinha sido muito bom, a gente estava quase namorando... Ela passou uns dois dias desaparecida, chamei a polícia, liguei para os pais dela, andei pra todo lado espalhando panfleto... Eu achava que ela era minha responsabilidade. Aí um dia a Castida voltou."

"Eu me assustei muito, porque ela empurrou a porta e entrou me olhando como se eu fosse de comer, e ela estava... Ela tava meio azul, sabe? Ela era bem morena, mas estava azul. E os olhos estavam vermelhos. Eu tentei conversar com ela, mas ela me respondia umas coisas estranhas, tipo "Você até que é inteligente, humano".

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"Pensei que tinha usado alguma droga, mas a Castida nunca foi disso... Eu tipo a empurrei pro quarto, pensei que dormir fosse fazer bem, mas quando chegamos lá ela... Avançou em mim, pensei que ia me abraçar mas mesmo assim achei estranho, ela pareceu que ia beijar meu pescoço mas eu senti os dentes dela entrando na minha carne. E depois eu senti o sangue correndo para aquela região, correndo para a boca dela, e depois eu ouvi um tiro e desmaiei."

"Você não sabe o que aconteceu com ela?", Simone perguntou.

"Não. Eu acordei com aquela bruxa de roupa branca na minha casa, eu estava na cama da Castida e estava cheio de gente lá. Ela me explicou mais ou menos o que era a União Protetora, que eles tinham pegado a Castida e que eu precisava sair dali. Na hora eu tentei levantar, disse que ia atrás deles, pedi a ela que me levasse até eles, mas ela disse que mesmo que soubesse não me levaria. Ela me explicou que ia me mandar pra cá até pensarem em um lugar melhor pra me mandar, e aí eu pensei que daqui seria mais fácil procurar a Castida. Ela saiu e me deixou com aquela velha... A cigana... e mais ou menos no final da tarde um carro passou e jogou um saco na porta. A Cigana trouxe pra mim, tava cheio de cinzas, e os brincos e anéis da Castida estavam no meio delas. Eu percebi que ela estava morta. A Cigana disse que tinha um jeito de avisar a bruxa, e avisou pela bola de cristal, a bruxa disse pra me mandar pra cá mesmo assim e aqui estou."

"É uma pena o que aconteceu com a sua namorada, Gabriel. Você tem certeza de que ela não está viva?"
"Você acha que aqueles caras iam deixar ela viver? Fiquei pensando se o que ela virou não era a mesma coisa que a morte, acho que como ela nunca mais seria capaz de conviver normalmente, talvez tenha sido até misericordioso..."
Simone, que fizera a pergunta, assentiu. Samanta recolheu os pratos e anunciou ao hóspede que iria mostrar seu quarto.

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"Então, este é o seu quarto, Gabriel. Eu o limpei quando soube que você viria para cá. Espero que goste"
"Obrigada, Samanta, parece ótimo e eu estou louco pra descansar longe daquela casa..." Samanta riu. "Você tem notícias da sua mãe?"
"Sim, a Fábia diz que ela está bem, mas não podemos trocar correspondência e não tem sinal de celular no mundo mágico, sabe?". Passou um longo tempo olhando nos olhos do visitante, um adivinhando a alma do outro. Depois, desejou boa noite e saiu do quarto.

Gabriel pensou muito antes de dormir. Era difícil ter perdido Castida, mas sabia que não teria um futuro muito distante com ela. Sua namorada não pretendia casar e ter filhos, e ele sabia que ela sequer ficava muito tempo com uma pessoa só. O que não significava que ela merecesse morrer daquele jeito, nem que ele não fosse ficar triste com a morte dela. Mas a confusão era tão grande que só havia um lampejo de estabilidade no meio daquilo tudo quando ele pensava em uma das moças que acabara de conhecer. Não sabia que em seu quarto aquela moça pensava o mesmo.

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