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Capítulo 1
ABC 3
Nome Capítulo 1
Escrito por [[Usuário:MorgaineLeFay|MorgaineLeFay]]
Data de lançamento 09 de março de 2014
Simsérie Antítese

Cronologia
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Mudou-se

Propriedade

Antítese - Capítulo 1 é de propriedade de MorgaineLeFay. A menos que a edição seja construtiva ou de poucos detalhes, peça permissão ao autor para editar a página.


Antítese - Capítulo 1

Samanta Cordial sempre gostou das histórias de sua mãe. Lembrava-se de escutar atenta a história das mulheres dos retratos da sala, a primeira, uma dama elegante em roupas renascentistas escuras, que Bárbara, a mãe de Samanta, identificava como a primeira mulher "diferente" da família. "Diferente como, mãe?", ela perguntava. "Ela conseguia falar com os espíritos e voar em uma vassoura, querida". O segundo retrato era de uma figura mais concreta, a avó de Samanta, em trajes da década de 20. Havia sido diferente até dentre aquelas mulheres diferentes, pois suas capacidades eram ainda mais acentuadas.

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Simone Cordial, irmã de Samanta, não participava dessas sessões. Bárbara se incomodava ao vê-la sequer olhando para os retratos na sala, e disse à filha que não contasse nenhuma daquelas histórias para a irmã. Simone se enfurecia, por se sentir rejeitada, e dizia as piores coisas para Samanta. "Você acha que eu não escuto tudo o que ela te fala? Sabe por que ela te conta isso? Pra te dar esperança, pra te consolar! Se você fosse... como é que vocês falam... diferente, acha que já não ia saber? Eu tenho o dom, você não".

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Não que alguma das gêmeas pudesse acusar a mãe de favoritismo. Bárbara as tratava da mesma forma, e se ensinava a história das mulheres diferentes para Samanta, gastava o mesmo tempo ajudando Simone a fazer roupinhas para suas bonecas.

Apenas anos mais tarde Samanta descobriu que sua mãe evitava empregar a palavra "Bruxa", para que ela não a repetisse em lugares inadequados, para pessoas inadequadas. A família Cordial vivia em uma época em que o poder das bruxas não era mais temido, e sim perseguido. Durante séculos, as religiões perseguiram mulheres que classificaram como bruxas, mas Bárbara assegurava que jamais haviam conseguido executar alguma delas, porque as bruxas sempre conseguiram se safar. Absteve-se de mencionar que as vítimas da caça às bruxas eram provavelmente mulheres inocentes.

Mas aquele século XX, bem distante do auge da caça às bruxas, trouxe armas novas. Havia uma grande diferença em manter uma bruxa amarrada por muito tempo até queimá-la ou enforcá-la ou simplesmente executá-la com uma bala de revólver. As coisas se tornaram difíceis para as mulheres diferentes, que precisaram se esconder e manter sua descendência em absoluto segredo. Nem Samanta nem Simone perceberam que jamais saíam de casa se não fossem para a escola.

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Na noite em que as gêmeas fizeram dezesseis anos, Bárbara materializou uma pizza e a família teve um jantar diferente do que geralmente tinham. Depois, assistiram a um filme e finalmente dormiram. Mas Bárbara ficou na sala, acordada, porque recebera mais cedo o sinal de que teria uma visita.

Viu o relâmpago verde que era bastante comum em sua juventude, e foi até a porta para abri-la para sua visitante. Fábia Alberta era a Bruxa Infinitamente Boa, a principal responsável pelas bruxas boas e neutras, cargo que assumia desde que a própria Bárbara sequer era adolescente.

"Você está muito bem, Fábia", ela cumprimentou a visitante.
"Você também, Bárbara, querida. É uma pena que tenha decidido viver aqui e envelhecer, você teria um futuro brilhante se tivesse permanecido ao meu lado no mundo mágico..."
"Sempre me lembrando disso, hein? Não se preocupe, já paguei pelo meu erro. Há dias que sequer saio na rua para que olhos errados não me vejam com as meninas. Você sabe, são tempos difíceis para quem não é humano..."
"Sim, Bárbara. É sobre isso que vim falar. Você certamente já sabe o que é a União Protetora, o grupo de humanos que dedicam suas vidas a nos localizar e nos destruir. Tenho notícias difíceis para você... Eles têm uma lista, você sabe, dos suspeitos de atividades que não acham normais... Não sei como te dizer, Bárbara, mas você é a próxima da lista. Abaixo de você, estão Samanta e Simone." Bárbara arquejou e caiu sentada no sofá, com o choque. Ela era mãe, e mães não tinham o direito de morrer e deixar seus filhos desamparados. Mas em seu caso era diferente, suas filhas também estavam no corredor da morte, e, muito possivelmente, seu marido.
Fábia continuou. "O que eu posso fazer por você é muito pouco. Você é uma bruxa, tem direito a refúgio no mundo mágico, pode, enfim, ocupar o cargo que estava reservado para você desde que manifestou os dons... Mas suas filhas têm dezesseis anos e até hoje nãos os manifestaram. É muito improvável que sejam bruxas... Às vezes os dons saltam uma geração ou outra, considerando-se que seu marido é um humano. Seu marido pode vir com você para o Palácio da Luz Infinita, mas Samanta e Simone não. Não enquanto não manifestarem os dons, se é que... Me desculpe, Bárbara.". Bárbara, que controlara as lágrimas durante todo o tempo, teve voz para falar. "O que eu posso fazer? Não posso deixar meu marido e minhas filhas sem mim! Essas meninas são inteiramente dependentes de mim!"
"O que você tem a fazer é mandar as meninas para longe, para uma cidade nova, onde elas poderão criar novos vínculos, e você e seu marido virão comigo para fora deste mundo dos humanos. Escute, Bárbara. Você não pode ir com elas, em todo lugar há espiões que podem saber que você é bruxa, mas talvez não saibam que elas são suas filhas. E, convenhamos, a maior parte dos seus poderes se foi. Eu as visitarei constantemente, nenhum mal poderá acontecer com elas. Eu posso protegê-las melhor do que você.". De fato, as bruxas que viviam entre os humanos perdiam seus poderes gradativamente, mas as que optavam por permanecer no mundo da magia se fortaleciam. Era muito provável, Bárbara pensou, que uma bala atirada em Fábia não conseguiria atingi-la. De fato, eram poderes que ela não possuía.

Bárbara acordou as filhas e mandou que se vestissem. Depois, mandou que se sentassem no sofá da sala, onde deveriam ter uma conversa.

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Ela contou toda a sua conversa com Fábia, sem omitir as partes de que não tinha certeza se as filhas eram ou não bruxas, acentuando a probabilidade de não serem. "Como eu disse para nossa visitante, são tempos difíceis para nós, e vocês teriam muito a perder se fossem bruxas. Esta noite, agora mesmo, as duas irão partir. Precisarão conviver sozinhas longe daqui. Já pensamos para onde irão: Enseada Belladonna não é uma cidade antiga, é moderna e barulhenta, o lugar perfeito para duas adolescentes normais. Vocês têm tudo de que poderão precisar. Sairão daqui amanhã de madrugada. Seu pai e eu nos juntaremos a vocês em breve."

A despeito das palavras secas, ambas as gêmeas sabiam que a mãe se esforçava para não chorar, mas não seria possível esperar o mesmo delas. "Não chorem, meninas. Vocês precisam estar fortes para fazer as malas e sair daqui sem levantar suspeitas."

Simone, com a voz esganiçada, perguntou: "Não levantar suspeitas como, mãe? Que tipo de pessoa sai de casa carregada de malas de madrugada?"
"Não se preocupe. Fábia colocará um feitiço no táxi, que irá mandar para cá, para que ninguém o veja". Samanta, que convivera a vida toda com uma bruxa decadente, não sabia que tais poderes eram possíveis, e a perspectiva de jamais tê-los a entristeceu ainda mais.

O dia seguinte passou muito rápido, no frenesi de empacotar as coisas mais importantes e descartar as desnecessárias. O único momento em que os Cordial esqueceram a tensão e se abstiveram de olhar pela janela - a União Protetora poderia aparecer por ali a qualquer momento - foi enquanto Samanta e Bárbara se ocuparam de pintar o cabelo de Simone, que num ato de rebeldia ela pusera louro, para que ela passasse mais despercebida.

Às duas horas da manhã, sentiram um relâmpago estranhamente verde, e viram o táxi pela janela. A família toda foi para a varanda, onde iriam se despedir. Simone chorava desesperadamente, mas Samanta e Bárbara estavam bastante calmas. Bárbara tomou as mãos da filha entre as suas, e sussurrou "Não se esqueça que o desejo é a arma mais importante que temos para conseguir o que queremos, meu bem". Samanta sentiu um choque na mão, que aos poucos se expandiu para todo o corpo. "Se você deseja ser uma bruxa, você será", a mãe acrescentou, ainda mais baixo. Não havia necessidade de mais despedidas, mesmo que ambas soubessem que nunca mais se veriam.

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Samanta se despediu do pai, enquanto Simone se agarrava à mãe. "Não posso ficar sem você! Eu nem sei cozinhar!", ela dizia, soluçando. Samanta percebeu as lágrimas nos olhos da mãe.

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Foi a primeira vez que a viu chorar, e entendeu por que evitara: Bárbara continuou chorando copiosamente enquanto assistia ao táxi se afastando.

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