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Tentando Compreender
Nome Tentando Compreender
Escrito por AmandaMM
Data de lançamento 1 de Dezembro de 2013
Simsérie 12 Dias para Amar
Classificação A leitura não é recomendada para menores de 12 (doze) anos. 12 anos

Cronologia
Capítulo Anterior Emoção e... Maldição!
Próximo Capítulo Mais Diversão
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Propriedade

12 Dias para Amar - Capítulo 4: Tentando Compreender é de propriedade de AmandaMM. A menos que a edição seja construtiva ou de poucos detalhes, peça permissão ao autor para editar a página.


Caio no chão ajoelhado, a ficha finalmente caiu. Morrer? Minha vida, imensa e esplendorosa está perto do fim? E quanto à sorte que eu sempre tive... E quanto à sorte que eu sempre tive! Onde ela está agora? Vejo o chão abrir sob meus pés e nada posso fazer! Morrer por maldição, como pó, como lixo, sem nenhum terço vivido não é o que a mim planejei! E quanto... E quanto tudo aquilo que... Ainda não vivi.

O homem que me informou tudo se ajoelha ao meu lado e diz com um ar de tristeza:

- Sinto, de verdade. A cura para essa praga é desconhecida, o último explorador a morrer por essa causa foi a mais de vinte anos atrás. A maldição sempre nos afastou de nosso próprio patrimônio, amaldiçoado por antigos Deuses egípcios.

Eu deveria ter me informado, já é tarde demais. Levanto-me, tiro a poeira de minhas calças e digo:

- Bem, não posso perder mais um segundo. Obrigado, a todos vocês.

Enquanto ando lentamente para longe dali, ainda ouso o burburinho atrás de mim, parecem mais preocupados que eu, mas apenas parecem, pois não estão. Já nos alojamentos, ligo para minha companhia aérea, quase preciso armar um barraco para fazê-los modificar o horário do meu voo para daqui a algumas horas, nenhum minuto a mais ficarei aqui, nenhum minuto. Paguei mais obviamente, mas pelo menos vou para casa, tentar compreender o incompreensível.

Assim que chego, perto das sete da noite, vou direto ao quarto de Daniel para avisá-lo sobre minha chegada. Entro em seu quarto e vejo-o deitado na cama assistindo ao canal de ação, ele parece desconcentrado, nem percebe minha presença. Até eu falar:

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- Estou de volta.

Ele num impulso desliga a televisão e volta seu olhar a mim, suas expressões são de surpresa, misturadas com alegria, pelo menos ele as manterá até entender meus reais motivos. Ele se levanta e chega até mim dizendo em seguida com um leve sorriso:

- Chegastes mais cedo? Pensei que viria apenas amanhã...

Passo a mão no pescoço e digo em seguida:

- Tenho bons motivos para isso, apesar de estressado e cansado. Brigar com a companhia aérea não é lá tão empolgante.

Daniel ri e diz:

- Brigar com a companhia aérea? Afinal que motivos são esses?!

Eu digo com calma:

- Amanhã conversamos melhor, é algo complexo.

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Daniel altera sua postura para uma bem séria, pouco adotada por ele. Ele diz então:

- É sério, não é? Não acha melhor falar logo?

Eu balanço a cabeça negando. Ele diz então:

- Certo, descanse, amanhã nós dois trabalhamos, se bem que não sei se seu emprego pode-se considerar um trabalho, mas acho que entendeu.

Eu digo procurando me alegrar um pouco:

- Sim, boa noite então, irmão.

Retiro-me com rapidez do quarto de Daniel, estou casando mais ainda assim com fome, acho que vou preparar alguma coisa para comer na cozinha, depois arrumo uma forma de passar meu estresse e dormir, ou pelo menos tentar. Quando se sabe que vai morrer não deve ser fácil dormir.

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Na cozinha como um pouco de sushi, há tempos não comia isso e está uma delicia! Depois vou para o quarto ver um pouco de TV até não me aguentar mais em pé, talvez cansado excessivamente eu consiga dormir sem me preocupar com meu tempo de vida afinal.

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Mas não deu certo, me mexia tanto que acordava, cochilava e acordava, tinha uma porção de sonhos estranhos e acordava. Até eu desistir de tentar dormir, fiquei apenas deitado olhando o sol nascer pela janela.

Quando deu a hora, levanto e desço para cozinha onde encontro waffles prontos para o café e Daniel comendo um prato dos waffles, por sinal quase acabando sobre a mesa. Quando vou me juntar a ele, ele termina e lava seu prato. E na volta fica me observando estranhamente, enquanto eu como, porém demorei a reparar.

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Quando termino de comer eu decido interrogá-lo a respeito:

- Por que me olha tanto e de tal forma? Algum problema?

Ele diz ainda olhando fixamente para mim:

- Você voltou bem mais forte do Egito, olhe só seus músculos do braço!

Eu olho para um de meus braços e digo em seguida:

- O que tem?

Daniel ri e diz:

- É legal apenas, e também será outra forma de sermos distinguidos.

Daniel sai andando, provavelmente para se arrumar para o trabalho. Devo fazer o mesmo, antes apenas lavarei esse prato. Quando termino de me arrumar um tempo depois, percebo que Daniel já saiu para o trabalho. Posso nunca ter mencionado, mas ele trabalha como professor, e por incrível que pareça ele gosta disso. Já eu “trabalho” como um analista no laboratório cientifico local, um posto pequeno e que perdoa todas as minhas faltas para viajar, definitivamente pretendo deixar logo esse lugar e aproveitar meus treze dias restantes.

Mais tarde depois das quatorze horas, estou saindo do trabalho a caminho de casa, Daniel deve já ter chegado e pretendo conversar com ele assim que chegar sobre a minha vida, ou o que resta dela. Estou levando bem a sério tudo isso, essa maldição não é fictícia afinal, tem base, fatos reais, olhos que viram... não tenho motivos para não acreditar.

Chegando a casa, logo me deparo com Daniel meditando calmamente no chão logo em frente à porta, já fazia um bom tempo que não fazia isso que ele aprendeu no centro de treinamento de artes marciais chinês, e falando nisso, acho que qualquer dia ele deve está voltando lá, afinal ele quer a faixa preta.

Fico pensando se o interrompo ou não, procuro não fazer barulho, geralmente essas pessoas quando meditam detestam ser incomodadas, principalmente de forma grosseira. Ele parece bem concentrado e calmo ao mesmo tempo, colocando um pouco de sutileza em meu tom de voz eu digo:

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-Daniel? Eu já cheguei.

Daniel logo se levanta e diz:

- Ah, oi mano. Estava meditando um pouco, me sinto bem depois de fazer isso, você sabe.

Eu balanço a cabeça e num breve intervalo de tempo digo com uma aparente preocupação:

- Podemos conversar sobre aquele assunto agora? Mas se não puder eu entendo...

Daniel logo diz tomando parte dessa preocupação para si:

- Não, claro, vamos conversar. Vamos em direção aos sofás da sala, sento em um deles e Daniel em outro, procuro acolher-me um pouco no sofá para vê se elimino sinais de tensão no meu corpo, esse assunto mexe muito com meus sentidos, não é tão fácil assim lidar com isso. Enquanto me ajeito sobre o sofá, Daniel diz olhando para mim:

- Pode falar, temos bastante tempo agora. Espero apenas que não seja tão grave quanto parece.

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Eu digo:

- Irei com calma e pausadamente, a informação é muita e o sentido pouco, certo?

Daniel dá de ombros e diz:

- Como quiser. - engulo seco e penso por onde começar, para não começar de forma tão ruim acho melhor falar da emoção que foi explorar a Esfinge. Eu então começo: - No Egito, eu consegui explorar a esfinge!

Daniel arregala os olhos e diz:

- Como isso é possível?

Eu digo descontraidamente:

- Uma passagem secreta, ora!

Daniel vira os olhos e diz pouco confiante:

- Tá, né... Continue.

Sinto a tensão voltar sobre meus ombros, me incomodo sobre o sofá, porém continuo: - Mas aconteceu um imprevisto enquanto eu estava lá. Estava tão envolvente que cheguei a dormir lá para concluir a exploração no dia seguinte, mas...

Daniel diz levantando uma sobrancelha:

- Mas...?

Dou um longo suspiro e digo:

- Cheguei até o final, encontrei um lugar místico uma estátua gigante e brilhosa...

Daniel diz literalmente bufando:

- E o que tem de mal nisso? Francamente!

Eu tusso e digo um pouco agressivo:

- Licença... Deixe-me continuar! - Daniel não fala nada, apenas olha para mim fixamente. Eu então digo deixando transparecer o mesmo desespero que tive ontem: - Tudo tremeu e vozes agressivas perfuravam meus ouvidos, vozes que eu não conseguia decifrar, o lugar parecia desabar e sai correndo por uma escada inacabada que dava para o lado de fora perto dali.

Daniel leva à mão a boca e diz:

- Mano...

Eu suspiro e digo:

- Corri para longe dali, corri muito e você não faz ideia. No mercado onde parei para tomar o fôlego, chamei a atenção de um homem que quis saber o que tinha acontecido e contei tudo o que te contei agora.

Daniel mais interessando se levanta, me fazendo levantar e diz:

- Então, o que deu?

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Eu digo com a cabeça baixa:

- Irmão, eu estou amaldiçoado. Eu vou morrer... E tenho apenas treze dias para viver o que sempre quis. Daniel se choca, ele começa a se desesperar e diz quase gritando:

- Como assim? Isso é verdade mesmo? O que vai acontecer com você? Tem cura? Diz-me! Isso tem cura?

Eu balanço a cabeça e falo:

- Não há cura conhecida, meu irmão. Todos ao meu redor se desesperaram assim como você, a última pessoa a morrer disso foi há anos atrás e eu não procurei me informar. Bem, não sou tão sortudo assim. Espero apenas que você não me deixe agora...

Daniel diz ainda desesperado:

- Claro que não você sabe, eu estou aqui e daqui não saio! Mas... não consigo imaginar minha vida sem você, e você sabe disso.

Trocamos um forte, eu digo enquanto isso:

- Sempre fizemos tudo juntos, lembra-se? Vestíamos as mesmas roupas... mamãe adorava fazer isso. É mais difícil para mim do que para você.

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Daniel responde demonstrando sua tristeza:

- Não vou admitir isso, não posso!

Quando finalmente voltamos a olhar cada um nos olhos do outro, eu digo com a voz meio abalada dessa emoção:

- Nossa mãe não pode saber ou Johan e Justin. Ninguém. Peço-te, quando souberem que meus dias são contados não sei o que pode acontecer.

Daniel de cabeça baixa parece pensar no que eu disse em seguida ele diz:

- Está errado, mas é compreensível. Será melhor a eles, menos sofrido não?

Eu balanço a cabeça, concordando. Esse dia com essas bombas ao meu irmão praticamente termina por ai, nada mais de interessante faço, mas espero conseguir aproveitar o feriado que teremos amanhã.

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Quinta às dez e quarenta da manhã e ouso uma voz diferente vindo da sala, desço até lá e vejo Daniel conversando com Justin. Justin finalmente veio no visitar! Tenho um pouco de receio em ir lá e perceberem meu cansaço, pois novamente tentei dormir e foi um fracasso. Mas o próprio Justin me vê e acena enquanto diz:

- Mano e ai? Quanto tempo! Venha cá!

Eu vou até ele e abraçamo-nos. Então eu digo:

- Como vai à escola? É verdade que está no mais puro desleixo?

Justin diz fazendo alguns gestos com as mãos:

- Já basta o pai e a mãe reclamando, agora você! Até o momento estou com um B, não é tão ruim assim...

Eu digo sorrindo:

- Mas pode melhorar.

Justin sorri para mim e diz:

- Daniel disse o mesmo.

Daniel balança a cabeça perto de nós e diz:

- Sim, disse.

Eu penso no que eu poderia fazer, preciso colocar minha cabeça no lugar, tem um parque logo ali na frente e acho que vou para lá. Eu então digo:

- Estou indo naquele parque bem ali, querem vim também?

Justin diz:

- Pode ser, mas antes Daniel disse que ia me mostrar uns golpes que ele sabe.

Daniel diz sorridente:

- Assim que fizermos isso nós aparecemos por lá, pode ser irmão?

Eu sorrio e digo:

- Sim, até mais ver então.

Ando calmamente pela rua até precisar atravessá-la, do outro lado enquanto eu entro no parque vejo alguém que me parece familiar sentada num banco de costas para mim, então eu ando até mais perto, o suficiente para perceber que é Maíra. Devo não ter reconhecido de primeira por está fora de seu traje formal.

Ela percebe minha presença e se levanta para vira-se para trás, quando me vê ela diz surpresa:

- Alberto! Você por aqui?

Eu dou uma leve risada e digo:

- Eu que te pergunto, senhorita Mello! O parque fica praticamente na frente de minha casa, por que não vim aqui respirar um ar puro com mais doce pólen das flores de primavera?

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Maíra sorri e diz:

- Sei que gosta de ser formal, mas já nos conhecemos o bastante para você deixar o senhorita e meu sobrenome de lado, não acha?

Eu rio e digo:

- Mil perdões, então, Maíra.

Ela sorri e diz:

- Bem melhor assim.

É tão legal encontrá-la por aqui que penso rapidamente em algum assunto:

- Vejo-te fora de seus trajes formais enfim, és bela em ambos devo afirmar, porém quase não te reconheci.

Maíra um pouco sem graça diz:

- Gentileza sua. Porém eu nunca te vi em seus trajes formais, qualquer dia desses mostre-me então, mas mesmo assim creio que poderei dizer o mesmo que disse.

Eu sorrio. Maíra senta no banco ao nosso lado e diz:

- Sente-se aqui, vamos conversar um pouco.

Eu me junto a ela então. Enquanto sentados eu digo curioso:

- Nunca me contou de onde veio sua etiqueta. Antes que me pergunte, desenvolvi alguns dos meus bons modos sozinho e não sei como explicar.

Maíra diz:

- Não sei se já ouviu falar, mas adolescentes de orfanatos nunca são adotados. Todas as crianças que estavam próximas a se tornar adolescentes em meu orfanato começavam a ter um curso de etiqueta. O orfanato era antigo e valorizava fielmente que aqueles que não puderam ser criados por famílias saíssem de lá com uma educação talvez melhor do que receberiam.

Um orfanato que fornece aulas de etiqueta? É legal saber que isso existe. Eu comento então:

- Não sabia que algo assim existia, os adolescentes de lá tiveram apenas a ganhar com isso, não?

Maíra balança a cabeça concordando. Maíra pensa um pouco e diz:

- Está de folga do trabalho? E por falar nisso... onde trabalha mesmo?

Eu digo:

- Sou um misero analista de laboratório, estou querendo me demitir.

Maíra diz:

- Mas por quê?

Eu digo:

- Definitivamente não é o emprego que eu queria. Vou ligar lá amanhã e pedir demissão.

Maíra não diz mais nada após isso.

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Daniel e Justin entram no parque pela entrada a nossa frente, Maíra vê Daniel conversando com Justin e diz curiosa:

- Quem é aquele garoto conversando com seu irmão?

Eu digo sorrindo:

- Esse é nosso irmão, ou melhor, geneticamente nosso meio-irmão Justin. Ele veio nos visitar em nossa casa pela primeira vez hoje, chamei-os para vim aqui apreciar o parque juntamente comigo.

Levantamos-nos, Maíra se apresenta para Justin e fala um pouco com Daniel depois ela diz se retirando:

- Vou dar uma volta pelo parque, nos vemos por aí.

Eu e Daniel acenamos para Maíra e Justin diz:

- Até mais!

Logo eu proponho:

- Vou grelhar uns hambúrgueres para nós bem ali, afinal não é todo dia que nosso irmãozinho Justin se junta a nós num passeio.

Todos assentem. Faço tudo muito rápido, enquanto eu e Daniel comemos lentamente nossos hambúrgueres, Justin devora o dele em segundos e alega precisar ir, pois nossa mãe impôs um horário a ele para retornar. Então eu e Daniel terminamos nossos hambúrgueres sozinhos.

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Daniel diz que tem vontade de voltar para casa, pretendo ficar mais um pouco respirado esse ar tão puro e agora mais ainda já que literalmente já almocei. Fico sentado no mesmo banco que estava com Maíra há um tempo, pensando na minha vida, como tudo será daqui para frente... Mas nada, não consigo me direcionar. Até Maíra aparecer novamente dizendo:

- Estou curiosa para ir à piscina comunitária, me faria companhia?

Eu me levanto e sorrio, depois digo:

- Claro, está um belo dia para ir lá.

Maíra sorri e diz:

- Obrigada Alberto.

Então é isso, estamos saindo juntos, não sei nem o que pensar ou dizer. Pegamos um táxi que passava por lá, abro a porta para ela inclusive. Rapidamente chegamos lá, Duas piscinas bem grandes e limpas, não há ninguém além de nós e quase não acredito nisso. Eu digo:

- Posso ter vindo despreparado para uma programação assim, mas vou entrar também.

Maíra olha para os lados até encontrar os banheiros, tanto masculino quanto feminino, ela diz então:

- Vamos nos trocar então.

E é exatamente o que fazemos. Eu entro primeiro, a água e gelada e bem agradável, Maíra ainda não apareceu, mas aposto que gostará. Ela surge finalmente, seu penteado padrão desfeito em um biquíni com uma estampa interessante e também com uns óculos de sol. Parece-me que ela está perfeitamente pronta para desfrutar dessas piscinas bem límpidas. Ela se aproxima a piscina onde já me encontro a nadar e diz:

- A água não está muito fria?

Eu sorrio e digo:

- Entre, sei que vai gostar.

Ela então se dirige a escada e por fim entra, ela diz:

- Um pouco fria, mas está uma delícia!

Eu sorrio. Ficamos por um bom tempo nos encarando na piscina sem trocar palavras.

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Nadamos um pouco, cada um para um lado, mas no fim sempre cruzávamos um com o outro novamente, era algo estranho que não consigo entender, numa dessas vezes Maíra brincou comigo atirando água em meu rosto, ela chegou a tentar uma segunda vez, mas eu mergulhei para desviar. Parece que o tempo não passou e minha mente esteve vazia o tempo todo, quando menos espero, ela diz saindo da piscina:

- Está prestes a anoitecer e eu acho melhor ir. As noites de primavera costumam ser frias.

Sem me dar a oportunidade de falar, ela entra no banheiro feminino para se trocar. Saio da piscina, antes de ela ir acho que devo perguntar algo a ela, uma curiosidade apenas... quando a vejo surgir pronta para ir, eu vou até ela e digo:

- Antes de ir... posso te fazer uma pergunta?

Ela diz atenta a mim:

- Claro, Alberto.

Eu digo passando a mão no cabelo:

- Se você tivesse apenas doze dias para amar, digo, achar quem procura o que faria?

Ela põe-se em postura pensativa e diz:

- Curiosa sua pergunta realmente...

Uns minutos depois ela olha para mim novamente e diz com um leve sorriso:

- Eu me apressaria.

Eu sorrio e digo:

- Obrigado, de verdade.

Agora Maíra curiosa diz:

- Algum motivo especial para me perguntar isso?

Eu digo obviamente disfarçando o fato de ter um motivo:

- Não, nenhum.

Maíra sorri e diz:

- Certo, agora definitivamente devo ir. Ela anda na direção oposta acenando para mim. Agora sozinho nesse lugar mais vazio ainda, vejo a hora perfeita para voltar a minha casa.

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Assim que chego decido ir jogar dardos, algo que eu não fazia há muito tempo e gosto para passar o tempo. Enquanto isso eu me recordo que enquanto eu estava com Maíra, ou melhor, todas as vezes que estive com ela hoje, ela me fez esquecer meus problemas parcialmente e às vezes por completo. Nesse momento devo está em sua companhia mais vezes se ela me faz esquecer... tudo o que eu quero agora e esquecer, mas não fugir. E também eu gosto dela, e percebo que ela anda passando a maior parte do seu tempo sozinha.

Depois de jogar por um bom tempo, preparo algo para comer, um macarrão com queijo para ser mais exato. Em seguida vejo um pouco de TV e por fim vou dormir, ou ao menos tentar, amanhã e um novo dia, e faltarão 11 dias para o meu fim.

Acordo cedo até demais e faltam algumas horas para eu ir trabalhar e a primeira coisa que faço e pegar o celular e ligar para lá pedindo minha demissão, meu tempo é precioso demais para eu continuar gastando-o trabalhando num lugar como aquele.

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Enquanto me arrumo para ir tomar café, ouso a chuva começar, há quanto tempo não chovia por aqui... apesar de fraca, acho que um pouco de chuva não faz mal algum. Desço para tomar café e percebo Daniel lavando desesperadamente uma tigela de cereal para correr ao trabalho, ele diz se retirando:

- A gente se ver mais tarde!

Eu digo olhando-o correr até a porta:

- Está bem...

Em seguida pego uma tigela de cereais para mim e como-a rapidinho já pensando no que devo fazer em seguida.

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Malhar, definitivamente, enquanto malho um pouco percebo que a chuva passou, mas a luz do sol ainda não entra pelas janelas. Passam-se muito tempo, poderia está fazendo algo melhor do que isso, mas não sei pensar em nada agora, ou pelo menos nada que eu pense me agrada.

De repente a chuva volta mais forte e com trovões. Eu já esperava por isso. Mas não esperava que a campainha tocasse logo em seguida. Paro imediatamente e desço as escadas com velocidade, à pessoa que deve está esperando lá fora pode se encharcar se eu demorar, e não quero que isso aconteça.

Reconheço logo de longe quem está do lado de fora, saio e encontro Maíra meio a chuva sem guarda-chuva, faço uma reverencia rápida e digo:

- Entre Maíra! Não quero que se molhe!

Faço-a entrar antes de mim, ela diz então:

- Bem, bom dia amigo. Vim fazer apenas uma visita rápida...

Ela me chamou de amigo, isso e tão bom de ouvir. Eu sorrio e digo:

- Fico feliz pela visita! - interrompo-me e olho para mim, depois olho novamente para ela e digo: - Sinto por te receber nessas vestes nem um pouco adequadas, é que eu estava malhando.

Um trovão, depois Maíra diz sorrindo:

- Não são inadequadas deixe disso! Fico um pouco sem graça ainda então a peço para se sentar no sofá da sala e logo em seguida digo:

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- Algum motivo especial para uma rápida visita?

Maíra diz com um leve sorriso:

- Vim saber se tinha realmente deixado seu emprego, como atendeu a porta percebo que sim. Tirando isso, saber se você está bem...?

Eu digo rapidamente:

- Agradecido pela preocupação. Mas... poderia ficar aqui e esperar a chuva passar? Ela está engrossando mais a cada instante...

Maíra se levanta e diz:

- Agradecida pela preocupação, mas tenho que ir pagar umas contas... e o horário do almoço se aproxima, devo ir debaixo de chuva mesmo.

Eu me levanto e digo:

- Mas... está caindo um temporal lá fora!

Maíra dá um leve sorriso e diz:

- Não se incomode, por favor. Bem devo ir, nos vemos em breve.

Eu digo então:

- Não quer que eu te leve?

Maíra ergue as mãos e diz:

- Não, por favor, obrigada pelo cavalheirismo, mas me acompanhar até a porta já é o suficiente.

Ela não volta atrás, é impressionante! Acompanho-a até a porta e trocamos rápidos olhares. Depois volto ao sofá e vejo sua imagem desaparecer meio a chuva, em seguida mais um trovão. Estou realmente preocupado com isso.

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Não deveria ter deixado-a ir ainda assim... não deveria... mas devo parar de me culpar, acho que nada de errado fiz me preocupo demais agora e jamais fui assim, devo parar. Decido subir para a sala onde tem minha bateria, estou pensando seriamente em tocá-la.

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Porém chegando lá eu desisto e penso no vazio, penso em nada, ou melhor, penso no tempo que ainda tenho e estou gastando-o a toa. Devo ir atrás de algo maior, mas ainda não consigo lembrar no que seria, e enquanto olho para a parede fico tentando compreender minha atual situação e o que verdadeiramente devo correr atrás. Pouco tempo depois, acho melhor sentar, então eu me sento em uma das cadeiras, vasculho meus sonhos mais intensos não vividos ou esquecidos, não acho nada ainda e isso causa agonia.

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Até que uma palavra vem em minha mente com força: Amar. Depois uma antiga frase dita por Daniel:

-... “Aventure-se enquanto ainda jovem, suas idéias de casamento podem interferir”...

Lembro da minha adolescência com um visual de revolta, quando eu era roqueiro, e minha mãe dizia “Se você quer tanto assim arrumar uma namorada seja mais normal, garoto!” E quando eu virei o cara que sou hoje e meu padrasto me perguntando: “Então Alberto, quais são seus planos para o futuro?” E eu respondi simplesmente: “Explorar e amar”.

Estava debaixo do meu nariz, então porque não lembrar antes? Minha cabeça não está boa, definitivamente. Então é isso que devo procurar. Agora aqui, sentando ouvindo esse gostoso barulho de chuva põe-me pensar que... Eu deveria ter valorizado, deveria ter feito isso mais vezes, simplesmente sentar e ouvir o meu coração querendo gritar assim como essa refrescante chuva de primavera.

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